CHARLES DARWIN (1809 - 1882) Naturalista Inglês Credito Site (chc.cienciahoje.uol.com.br)
Rio de Janeiro
“Bonito é modesto demais”. (Charles Darwin, 1809-1882).
Comentário
sobre a paisagem carioca, no diário em que narra sua passagem pela cidade, em
1832. “Em outra ocasião parti cedo em direção a montanha da Gávea. O ar estava deliciosamente fresco e perfumado, e as gotas de orvalhos ainda cintilavam sobre as folhas das grandes liláceas que cobriam com suas folhas os riachos de águas claras.”
(Charles Darwin, no Rio, 1832.
Naturalista Inglês).
“O Rio de Janeiro é a mais bela de todas as declarações de amor, e o
mais emocionante de todos os caprichos da natureza”.(Guia José Carlos Melo).
PEDRA DA GÁVEA (842 m
altitude)
Maior bloco de pedra a
beira mar do Planeta Terra
Credito:
queridoriodejaneiro
“Provavelmente nenhuma outra
cidade do mundo poderá ser comparada ao Rio de Janeiro na variedade, beleza e
interesse que despertam os aspectos de seus arredores”.(Daniel
P. Kidder, pub 1845 – Pastor Metodista norte-americano realizou trabalho
missionário no Brasil entre 1837-1840).
“Para ser carioca basta amar o Rio.”(Eduardo Paes, político, 2012)
O Rio de Janeiro é uma Cidade Maravilhosa abençoada por Deus, repleta de encantos em todos os cantos, onde há sempre um lugar com paisagens inesquecíveis para se conhecer melhor. É impossível negar. A primeira cidade do mundo a conquistar o título de Patrimônio Cultural da Humanidade (2012, UNESCO), na categoria paisagem natural, está de braços abertos para recebê-lo.
RAMPA DE VOO LIVRE - PEDRA BONITA Credito: queridoriodejaneiro
Conhecida mundialmente pelas belezas naturais, a cidade abriga dezenas de atrativos que são opções extraordinárias para cariocas e visitantes que desejam aproveitar o dia ao ar livre, em contato mais direto com a natureza: Jardim Botânico, Pedra da Gávea, Floresta da Tijuca e Baia de Guanabara são alguns exemplos.
Há também o Rio do cartão-postal que brasileiros ou estrangeiros de todos os continentes sonham em conhecer devido à força de sua fama e beleza: Cristo Redentor, Pão de Açúcar, as praias de Ipanema e Copacabana, e o famoso Maracanã. E muito mais! O Rio é assim, tem locais incríveis para você curtir em todas as estações do ano.
Denominação Carioca (Apelido)
O apelido CARIOCA dado aos nascidos na capital do estado homônimo (Rio de Janeiro), só foi usado a partir da criação do município neutro, em 1834, quando desmembrado da província do Rio de Janeiro. Antes desta data, porém, os nascidos no ‘ Rio ‘ (capital) também eram chamados de fluminense, assim como ainda são tratados os nascidos no estado do Rio de Janeiro, exceto na capital.
FLORESTA DA TIJUCA Caminhada por trilha Credito: Guia José Carlos Melo
Com relação a origem indígena do topônimo CARIOCA (cari / branco + oca / casa = casa de branco ou casa branca) os historiadores tem cinco pontos de vista bem diferentes: para uns foi numa alusão a casa de pedra que os índios chamavam de carioca, mandada erguer por Gonçalo Coelho às margens de um “rio” que desembocava na Praia do Flamengo, na segunda expedição portuguesa sob seu comando, enviada ao Brasil em 1503.
Outros afirmam que é mais fácil acreditar que o local era chamado pelos índios de Acari-oca (toca ou casa do acará), peixe abundante naquela praia dando origem ao nome carioca. Ou quem sabe: rio dos acaris (acari / peixe + oca / casa = logo, casa do acari). O historiador José R. Bessa Freire, na Revista História da Biblioteca Nacional nº 100 / página 45 fala em algo parecido: De orgiem tupi é a palavra carioca, nome de um rio que, segundo alguns especialistas, significa "morada (oca) do acari", um peixe que cava buracos na lama e ali mora como se fosse um anfíbio. Para outros, é o nome de uma aldeia, a "morada dos índios carijó". Porém, há quem defenda que o termo carioca advém da aldeia Tupinambá "Kariók", localizada aos pés do atual Outeiro da Glória.
Agora, a historiadora Celeste R. B. Ramos apresenta uma versão relevante, que merece especial atenção. Diz ela: CARIOCA é uma palavra do tupi, Kaa-ry-og, que significa “corrente saída do mato ou do monte. Essa corrente de água jorrava da nascente da serra, acima das Paineiras, e era famosa pela sua qualidade”.
PRAIA VERMELHA (URCA) Zona Sul do Rio
Credito: queridoriodejaneiro
Pedro C. Menezes, jornalista e diplomata, afirma: O Rio Carioca, com seus 4,3 km de extensão é personagem de relevo na história do Rio de Janeiro. Afinal, empresta seu nome à gente que aqui vive. Qualquer que seja o significado, é importante lembrar que o Rio de Janeiro construiu sua história ao redor do Carioca.
Origem do nome Fluminense
Contam que era moda no século XIX, entre as pessoas cultas, dizer-se que flumenem latim significa “rio” em alusão ao RIO. Fluminense quer dizer ‘fluvial’; ou natural do estado do Rio de Janeiro.
PRAIAS DA ZONA OESTE DO RIO DE JANEIRO Crédito: Guia José Carlos Melo
Entretanto, é importante lembrar que há três estados brasileiros cujos nomes se iniciam por ‘RIO’: Rio Grande do Norte (riograndense-do-norte); Rio Grande do Sul (riograndense-do-sul); porém, no querido Estado do Rio de Janeiro não existe “riojaneirense” para os seus habitantes. O gentílico tomou “flumen” do latim, que significa “rio”, dando origem a denominação fluminense. Na verdade, todos os nascidos no Estado do Rio de Janeiro, gostam mesmo é de serem chamados de CARIOCA. Para ser carioca basta amar o Rio!
Cidade Maravilhosa
COELHO NETO (1864 - 1934) Escritor e Político Credito site (onordeste.com)
Como e quando surgiu a
expressão de carinho “Cidade Maravilhosa”?
Foi o escritor,
político e professor Coelho Neto,
quem usou pela primeira vez a expressão Cidade
Maravilhosa, em 29 de novembro de 1908, quando escreveu num artigo no Jornal A Notícia: “Rio de Janeiro, nome próprio Cidade Maravilhosa”. O Maranhense publicou diversos livros, entre
eles “Cidade Maravilhosa”, em 1928.
Colaboração: Guia José Carlos Melo / Rio de Janeiro JESUS CRISTO é a nossa única esperança!
D. PEDRO II (1825 - 1891) Imperador do Brasil Credito site: veja.abril.com.br
D. Pedro II “era alto (1,90 m), de feições severas, modos
lentos, tinha um par de olhos azuis como contas, afundados num rosto muito
branco. Mais ouvia do que falava, e dele emanava um sentimento de desconfiança
em relação ao interlocutor”.– RHBN 2011 – Revista da Biblioteca Nacional.
Proclamação da
República e a Ilha Grande
Usurpação de poder,
covardia, traição e ato de desumanidade caracterizaram o desfecho do movimento
republicano liderado pelo Marechal
Deodoro da Fonseca contra seu amigo e protetor, o Imperador D. Pedro II,
com 63 anos de idade, saúde debilitada, “quando a dois passos já estou (estava)
da morte (D. Pedro II)”. Palavras proféticas que se cumpriram em Paris, capital
da França, 750 dias após ter sido cuspido do Brasil, país que amava sem
reservas, por força do golpe militar que acabou estupidamente com o Regime
Monárquico em nosso país.
CACHOEIRA VÉU DE NOIVA Fazenda Bonfim (Petrópolis, RJ) P.N.S.O
“A vida em Petrópolis agrada-me muito... [...] Aqui trabalho
melhor que no Rio, apesar dos dois passeios que faço todos os dias.” – D. Pedro II / Diário.
MAJOR SÓLON RIBEIRO (1839 - 1900) Arquivo Público
Em 15 de novembro de
1889, sexta-feira, dia em que teve início a queda do Regime Monárquico
Brasileiro, D. Pedro II, fugindo do calor carioca, estava com a sua família curtindo férias em Petrópolis, região serrana do
Rio de Janeiro. Na véspera, o Major Frederico Sólon de Sampaio Ribeiro, cumpriu fielmente a
missão de espalhar o boato de que Deodoro da Fonseca e Benjamin Constant tinham
sido presos pela policia imperial. Espalhou ainda que a ordem na capital seria mantida pela Guarda Negra, organização criada pelo vereador José do Patrocínio e integrada por ex-escravos. A principal finalidade desse jogo sujo pelo
poder era inflamar revolta nos militares contra o império, e assim, aproveitar
a agitação febril dos mesmos para derrubar a Monarquia e implantar
imediatamente o regime Republicano no Brasil. A suja missão confiada ao Major
Frederico Sólon teve êxito desejado.
MARECHAL DEODORO DA FONSECA (1827 - 1892)
Anteriormente,
D. Pedro II já havia sido alertado sobre o seu amigo Deodoro e o deslocamento
de tropas sem motivo visível, porém o teimoso Imperador interpretava o fato
apenas como um mero “motim militar”. Quando não, respondia: “Manuel Deodoro é meu amigo, tenho-o
protegido e a toda a família”.
Contam que ao
“proclamar” a República, o Marechal Deodoro da Fonseca, de 62 anos, estava
doente. Mesmo assim, foi tirado da cama no meio da noite, por amigos, para
junto com Benjamin Constant, na madrugada de 15 de novembro, sexta-feira,
conduzir as tropas na direção do Campo de Santana (Central do Brasil, Rio),
para fazer o cerco do Ministério. Deodoro estava com um ataque de dispneia. Foi
sem espada, porque seu ventre estava muito dolorido.
Numa sala do
quartel-general, estava reunido o ministério, já ciente sobre a movimentação de
tropas, motivo pelo qual, por determinação do governo, haviam sido postados
cerca de 2000 homens, entre soldados e marinheiros, no pátio interno e na
frente dos edifícios. Expectativa geral.
Porém, quando Deodoro passou pelo portão principal do Ministério, montado no
cavalo baio nº 6, que lhe fora emprestado pelo alferes Barbosa Júnior,
prestaram continência ao Marechal e lhe deram vivas. Como homenagem, o cavalo
não seria mais montado até sua morte, em 1906.
Diante de tal situação
e sem nenhuma defesa, o Visconde de Ouro
Preto, decidiu passar urgentemente um telegrama ao Imperador D. Pedro II
que gozava férias em Petrópolis, aonde lhe transmitia os últimos acontecimentos
e pedia demissão do cargo. Pouco depois, Deodoro, estava diante do ministério
demissionário, criticando asperamente a conduta política de Ouro Preto, em
relação aos militares.
DEODORO DESFILA PELAS RUAS DA CIDADE. E A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA? Nada ! Na manhã do mesmo dia, 15 de novembro, seguido pelas tropas, o velho Marechal, montado em seu cavalo emprestado, desfilou orgulhosamente pelas ruas do centro da cidade.
Segundo Aristides Lobo, a participação popular foi completamente nula: “O povo assistiu a tudo bestializado, pensando tratar-se de uma parada militar”. Da sede do Jornal da Cidade do Rio, o Engenheiro André Rebouças, grande amigo da Família Imperial, assistiu o desfile de Deodoro. Rebouças, com a Proclamação da República, decidiu sair do Brasil com Imperador D. Pedro II. Ele suicidou-se no dia 9 de maio de 1898, em Funchal, Ilha da Madeira, Portugal. Além de engenheiro, foi astrônomo, poeta e escrevia sobre todos os assuntos. Foi o máximo do Brasil no século XIX.
“Deodoro acedeu ao apelo dos oficiais republicanos, dissolveu o governo e foi para casa dormir, com dispneia, um tipo de falta de ar associado a doenças pulmonares ou cardíacas.” (Revista veja). É fato real, que até esse momento do dia, nem o próprio Marechal Deodoro havia tomado conhecimento de qualquer decisão que se evidenciasse PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA.
ENGENHEIRO ANDRÉ REBOUÇAS (1838 - 1898) Foi o máximo do Brasil no século XIX. Suicidou-se no dia 9 de maio de 1898, Funchal, Portugal Credito (vapordecachoeira.blogspot.com)
D. Pedro II,
convencido do grave problema decide então descer de Petrópolis para o Rio. Até
esse momento também nada de Proclamação da República pelo protegido do
Imperador, embora, patrimônio público como a Escola Politécnica onde André Rebouças
lecionava já “tivesse sido tomada pelo republicano Antônio da Silva Jardim”.
Aos 31 anos de idade,
Silva Jardim, jornalista e militante republicano teve uma morte bizarra. Viaja
para a Europa, e durante visita a Itália decide conhecer o Vesúvio, mesmo tendo
sido alertado dos perigos da excursão. Infelizmente morre ao cair na cratera do
famoso vulcão napolitano.
D. Pedro II e sua
filha Princesa Isabel ainda procuraram salvar a monarquia, mas era tarde
demais. Nas primeiras horas do dia 16 de
setembro de 1889 (sábado), o Diário Oficial publicava a notícia de ter sido
proclamada a República e da criação de um governo provisório. O movimento
resultou da união de três forças sociais: Exército, fazendeiros do Oeste
Paulista e a classe média urbana. Não houve derramamento de sangue.
D. PEDRO II e SUA FAMÍLIA PRISIONEIROS
Assim registrou Raul
Pompéia o “procedimento enérgico para com os membros da dinastia dos príncipes
do ex-império”, na manhã de sábado, 16
de novembro 1889, dia oficial da Proclamação da República, na residência
imperial, Paço da Cidade transformado em prisão do Estado:
RAUL POMPEIA (1863 - 1895) Suicidou-se no dia 25/12/1895, dia de Natal.
“A todas as portas do
edifício principal, na manhã de sábado e às portas das outras habitações
dependentes, ligadas pelos passadiços, foram postadas sentinelas de infantarias
e numerosos carabineiros montados. O saguão transformou-se em verdadeira praça
de armas.
Muitos personagens
eminentes do Império e diversas famílias ligadas por aproximação de afeto à
família imperial apresentaram-se a falar ao Imperador e aos seus augustos
parentes, retrocedendo com desgosto de uma tentativa perdida. À proporção que passavam as horas, foi-se
tornando mais rigorosa a guarda das imediações do palácio. As sentinelas foram
reforçadas por uma linha de baionetas, que a pequenos intervalos se estendeu
pelo passeio, em todo o perímetro da imperial residência transformada em prisão
do Estado”.
O Imperador recebe a
Intimação do Governo Provisório
MAJOR SOLON RIBEIRO entrega em mãos ao Imperador D. Pedro II a intimação para deixar imediatamente o Brasil.
Foi nesse mesmo dia de
sábado, 16 de novembro, um dia depois que havia descido com a família de
Petrópolis para o Paço da Cidade, que o Imperador recebeu pelas mãos do Major Sólon Ribeiro (o boateiro, pai de
Ana Emília Ribeiro, esposa do escritor Euclides da Cunha, envolvida em tragédia
passional), a intimação do Governo Provisório, que teriam de partir para o
exílio na madrugada seguinte (domingo, 17 de novembro de 1889). O Major também
era portador da quantia de 5.000$ contos de réis determinados pelo Governo
Provisório para seu estabelecimento no estrangeiro. O Imperador D. Pedro II recusou
a oferta, “pedindo somente um travesseiro com terras do Brasil, pare repousar a
cabeça quando morresse”, e partiu com a família na madrugada seguinte para a
Europa. A recusa dessa oferta humilhante por parte do ex-imperador deixou o
Marechal Deodoro indignado.
PRINCESA ISABEL (1846 - 1921) Filha de D. Pedro II Credito site (veja.abril.com.br)
A Princesa “Isabel
chorou e Teresa Cristina, a Imperatriz, afligiu-se quando Pedro comunicou o
teor da mensagem que havia recebido: ele estava destituído, a República
proclamada, e a família real tinha 24 horas para deixar o país. – Pois, se tudo
está perdido haja calma. Eu não tenho medo do infortúnio – disse (D. Pedro II),
recuperando o controle depois de receber [...] o aviso de que teriam de sair de
imediato, sob o manto da escuridão.” – Revista Veja / 2007
Os republicanos
justificaram o embarque dos exilados, de madrugada, para melhor garantir a
proteção do Monarca e seus familiares diante de simpatizantes mais exaltados do
novo regime. Na verdade, a finalidade era o oposto: “tornar mais difícil que
viessem à tona manifestações de solidariedade a D. Pedro II”. O Monarca era uma
pessoa querida pela grande maioria da população brasileira.
PRINCESA ISABEL e CONDE D'EU (1919) no exílio França. Credito site: Estúdio LM fotografia
O Embaixador da
Áustria, Conde Weisersheimb,
descreveu assim a postura do Imperador na condição de preso político, diante de
tremenda covardia: “Nobre dignidade e
perfeita segurança de si mesmo caracterizaram a compostura de Sua Majestade;
nem ao menos uma palavra de queixa ou reprovação saiu de sua boa”. No dia
seguinte, 17 de novembro de 1889 (domingo), o embaixador acompanhou os netos do
Imperador até o navio que os levaria para a Europa.
LEVADOS PARA ILHA GRANDE (ENSEADA DO ABRAÃO)
ENSEADA DO ABRAÃO Ilha Grande - Angra dos Reis, RJ
A Família Imperial
teve de ser encaminhada, de lancha, ao Cruzador
Parnaíba II, onde ainda aguardariam a chegada dos três filhos da Princesa
Isabel e só depois navegariam rumo à belíssima Ilha Grande (Enseada do Abraão),
para embarcar no navio Alagoas II.
Esta seria a quarta e última viagem do Imperador com destino à Ilha Grande,
terceira maior ilha oceânica do Brasil. Porém, na sexta-feira, 15 de novembro,
a Princesa Isabel e seu marido, temerosos de que poderia haver tumulto no Rio,
haviam enviado seus filhos para Petrópolis. Péssima decisão.
Agora, veja como foi
despejado o Imperador D. Pedro II, a Monarquia e toda Família Imperial, na
madrugada do dia 17 de novembro de 1889 (domingo). Registro histórico de Raul Pompéia, testemunha ocular:
“As três da madrugada
de domingo, menos alguns minutos, entrou pela praça um rumor de carruagem. Para
as bandas do largo houve um ruidoso tumulto de armas e cavalos. As patrulhas
que passavam de ronda retiraram-se todas a ocupar as entradas do largo, pelo
meio do qual, através das árvores, iluminando sinistramente a solidão,
perfilavam-se os postes melancólicos dos lampiões de gás.
Apareceu, então, o
préstito dos exilados. Nada mais triste. Um coche negro, puxado a passo por
dois cavalos que se adiantavam de cabeça baixa, como se dormissem andando. À
frente duas senhoras de negro, a pé, cobertas de véus, como a buscar caminho
para o triste veículo. Fechando a marcha, um grupo de cavaleiros, que a
perspectiva noturna detalhava em negro perfil. Divisavam-se vagamente, sobre o
grupo, os penachos vermelhos das barretinas de cavalaria. O vagaroso comboio
atravessou em linha reta, do paço em direção ao molhe do cais Pharoux. Ao aproximar-se do cais,
apresentaram-se alguns militares a cavalo, que formavam em caminho.
- É aqui o embarque? –
perguntou timidamente uma das senhoras de preto aos militares. O cavaleiro, que
parecia oficial, respondeu com um gesto largo de braço e uma atenciosa
inclinação de corpo.
Por meio dos lampiões
que ladeiam a entrada do molhe passaram as senhoras. Seguiu-se o coche fechado.
Quase na extremidade do molhe, o carro parou e o Sr. D. Pedro de Alcântara apeou-se – um vulto indistinto entre
outros vultos distantes – para pisar pela última vez a terra da pátria.
Do posto de observação
em que nos achávamos, com a dificuldade, ainda mais da noite escura, não
pudemos distinguir a cena do embarque. Foi rápido, entretanto. Dentro de poucos
minutos ouvia-se um ligeiro apito, ecoava no mar o rumor igual da hélice da
lancha, reaparecia o clarão da iluminação interior do barco e, sem que se
pudesse distinguir nem um só dos passageiros, a toda a força de vapor, o ruído
da hélice e o clarão vermelho afastavam-se da terra”. (Raul Pompéia).
O escritor Raul Pompéia, depois de demitido do
cargo que ocupava na Biblioteca Nacional, suicidou-se no dia 25 de dezembro de 1895,
dia de Natal.
CRUZADOR PARANAÍBA II Trasportou a deposta Família Imperial do Porto do Rio Janeiro para a Ilha Grande em 17/11/1889 (domingo) Credito site (naviosbrasileiros.com.br)
Cruzador Parnaíba II Numa lancha do Arsenal de Guerra, tripulada por quatro alunos da Escola Militar, foram
levados para bordo do pequeno Cruzador Parnaíba
II, onde só às 09 e 30 h, chegariam o engenheiro André Rebouças (Túnel Rebouças), introdutor, entre nós, do cimento
em obras de grande magnitude. E também os três jovens príncipes que estavam em Petrópolis, filhos da Princesa Isabel e do Conde D´Eu, acompanhados pelo seu preceptor, Barão de Ramiz Galvão. O cruzador só partiu ao meio-dia em direção a
Baía da Ilha Grande para encontrar o Paquete Alagoas. Coube ao Capitão-de-Fragata José Carlos Palmeira, comandante do cruzador, a
triste missão de levar a comitiva até a Enseada
do Abraão, na Ilha Grande, onde seria transferida para o navio Alagoas II, que a conduziria em
sua viagem de exílio na Europa.
Paquete Alagoas II
PAQUETE ALAGOAS II
Partiu da Enseada do Abraão, Ilha Grande, RJ, com destino a Portugal conduzindo toda Família Imperial ao exílio. Credito site(veja.abril.com.br)
O navio Alagoas II,
então pertencente à Companhia Brasileira
de Navegação a Vapor, posteriormente Lloyd Brasileiro, foi temporariamente
incorporada à Esquadra em 1889, para conduzir toda a Família Imperial ao
exílio. Nas primeiras horas do dia 18, segunda-feira, sob o comando do Capitão de Longo Curso José Maria Pessoa,
deixou a Enseada do Abraão (Ilha Grande) com destino a Portugal, comboiado pelo Encouraçado Riachuelo. Com a bandeira do Império tremulando no mastro, chegou a Lisboa em 7 de dezembro. O Imperador foi recebido com honras por seu sobrinho D. Carlos, e toda corte portuguesa.
MORTE DE DONA TERESA CRISTINA
INTERIOR DO PAQUETE ALAGOAS II Credito site: (naviosbrasileiros.com.br)
Dona Teresa Cristina,
esposa de Pedro II, durante toda a viagem transatlântica a bordo do Paquete Alagoas II que conduziu a Família
Imperial rumo ao exílio, esteve em estado de choque, entorpecida pelo
tratamento desumano e covarde que os republicanos dedicaram com muito gosto à
dinastia deposta. Ao embaixador da Áustria, Conde Wisersheimb, presente no
embarque, perguntou: Que fizemos para
sermos tratados assim?
DONA TERESA CRISTINA (1822 - 1889) Esposa do Imperador D. Pedro II Arquivo Público
Chegando em Portugal
Pedro II e Teresa Cristina retiraram-se
para a cidade do Porto, onde ela sentiu-se muito mal. Um médico fora chamado as pressas nada
podendo fazer. A querida esposa de D. Pedro II faleceu vítima de uma síncope
cardíaca agravada por acentuado estresse emocional, no dia 28 de dezembro de 1889,
menos de dois meses do golpe militar de 15 de novembro de 1889. Suas últimas
palavras teriam sido: Brasil, terra
abençoada que nunca mais verei.
Não bastasse bem recentemente “o rigor da iníqua sorte, atroz e sem piedade, arrancado (-me o trono e
a majestade, quando a dois passos...” já estava da morte, logo em seguida, o
falecimento da pessoa que aprendeu a amar aos poucos, dia-a-dia, embora tenha
sido infiel em algumas ocasiões. Profundo sentimento de perda, Pedro, transbordou
em seu diário:
“Não sei como escrevo. Morreu haverá meia hora a Imperatriz,
essa santa [...] Ninguém imagina minha aflição. Somente choro a felicidade
perdida de 46 anos [...] abriu-se na minha vida um vácuo que não sei como
preencher.” – Pedro
II. Jornais europeus comentaram a morte da Imperatriz Teresa Cristina. Le Figaro escreveu em 29 de dezembro de 1889: "A Europa saudara respeitosamente esta Imperatriz morta sem trono, e dirse-á, falando-se dela: sua morte é o único desgosto que ela causou a seu marido durante 46 anos de casamento."
EXÍLIO NA FRANÇA E A MORTE
DA CONDESSA DE BARRAL
Pedro II, viúvo,
exilou-se na França, onde regularmente freqüentava biblioteca, concertos e
conferências. Nos diários de exílio, registrou com entusiasmo como adaptava
clássicos da literatura. Atribuem a D. Pedro II o primeiro a traduzir uma obra
do árabe para o português: Mil e uma
noites.
CONDESSA DE BARRAL (1816 - 1891) Credito Site (veja.abril.com.br) Revista 2087
Passou uma temporada
em Voyron, em propriedade da Condessa Luisa de Barral.
A Condessa Luisa Margarida Portugal e
Barros (Barral), no período em que viveu no Brasil, foi dama de companhia
de suas filhas princesas imperiais Isabel e Leopoldina Augusta. “O contato com o Imperador era diário. Nele,
Luísa irradiava graça e inteligência.” – RHBN – 2011 (Revista da Biblioteca
Nacional).
Embora fosse um homem discreto e austero, D. Pedro II também foi um homem capaz de se apaixonar.
Fatos indicam que a maior paixão de sua vida foi a Condessa de Barral. Ela era
miúda, tivera problemas nos dentes, nove anos mais velha do que o Imperador.
“Mas tinha uma cabeleira negra que o romantismo elegeu como a cor de suas
heroínas, em um par de olhos de veludo. Ela tinha graça, o gesto fino, o
espírito vivo, e mais: era uma verdadeira coquette.”.
Luisa transpirava graça e inteligência. Pedro sentia-se atraído por mulheres
assim. – RHBN 2011 (Revista da Biblioteca Nacional).
Um ano depois de sua
deposição, o ex-imperador estava em Cannes, para onde Luísa também seguiu.
Encontravam-se para conversinhas que tanto gostavam e derradeiros gestos de
carinhos. Entretanto, a viagem que fez a Cannes para matar saudades de seu grande
amigo abalou a saúde de Luísa. Ela emagreceu e definhou, mas conservou até a
morte toda a consciência e profunda serenidade. Descansou com um sorriso nos
lábios. Pedro a seguiu em dezembro do mesmo ano. Além de amor, tinha por Luísa
tremenda admiração intelectual, sentimento sincero revelado por ocasião de sua
morte, em janeiro de 1891:
“Nunca vi inteligência assim, e sempre a mesma durante 50
anos. Estou deveras no vácuo.” – Pedro II (Diário).
FUNERAL DE CHEFE DE ESTADO PARA D. PEDRO II (FRANÇA)
A partir daí, física,
moral e emocionalmente abatido, Pedro não conseguiu mais ter razão para viver
conforme gostaria. Decidiu então entregar-se a uma vida solitária, cercando-se
de livros e recebendo esporádicas visitas de amigos. Instalou-se um hotel
modesto, na Rua Arcade nº 17, Paris, onde passaria os últimos dias da sua
existência. Pressentindo de que já estava bem próximo da morte, eternizou em
seu inseparável diário:
“Já clareia [...] aguardo o dia. 05:30. Não posso nada fazer.
Não tenho perna nada capaz nem luz. Enfim é uma maçada.” – D. Pedro II (Diário).
O IMPERADOR DOM PEDRO II em seu leito de morte, vestido com o uniforme de Marechal do Exército Imperial Brasileiro. Credito site: (dompedroii.nafoto.net)
Três dias após
completar 66 anos de idade, vitimado de uma pneumonia aguda no pulmão esquerdo,
o Imperador D. Pedro II, morre na madrugada do dia 5 de dezembro de 1891, no modesto Hotel Bedford (Paris) onde residia. Conforme seu desejo expresso por escrito, a cabeça repousava sobre um travesseiro contendo terras brasileiras vindas de todas as províncias (hoje estados) brasileiras. Embaixo do seu travesseiro, foi colocado um livro, significando que descansava sobre o conhecimento. Suas últimas
palavras foram: "Deus me conceda esses últimos desejos - paz e prosperidade para o Brasil...".
Escreveu o autor de
seu obituário no The New York Times: “Conheci
muitos figurões, mas nunca vi um cujo tratamento igualasse o de dom Pedro em
cortesia”. O governo francês, na
pessoa de seu presidente Sadi Carnot,
rendeu honras imperiais aos restos mortais do nosso Imperador. Já o governo
republicano do Brasil, ao contrário do presidente (republicano) Carnot, resolve não tomar parte,
oficialmente, destas manifestações de pesar, sob o pretexto de “evitar descabidas revivescências do
espírito monárquico”. Nenhuma
manifestação de consideração ou respeito por parte do governo brasileiro. Total
ausência de espírito de humanidade. O Presidente Sadi Carnot governou a França de 1837 a 1894. Teve uma morte trágica: foi apunhalado até a morte, dentro de sua carruagem, por um anarquista italiano.
FUNERAL DE D. PEDRO II, FRANÇA 1891 credito site (al.sp.gov.br)
A impressa francesa
realizou uma ampla cobertura sobre a morte do Imperador D. Pedro II e de seu solene
enterro em solo francês, ressaltando sua paixão pela cultura e pela ciência, e,
principalmente, seus dotes políticos. Infelizmente, poucos brasileiros sabem
que ele recebeu honras de Chefe de Estado por parte do governo francês,
mobilizando – conforme observou José Murilo de Carvalho – “imenso cortejo,
composto por doze regimentos comandados por um general e formado por 200 mi
pessoas”, na chuvosa quarta-feira de 9 de dezembro de 1891. – (RHBN, nº 86,
Revista da Biblioteca Nacional). Por onde ia passando o caixão, os soldados
apresentavam armas.
Após as homenagens
prestadas pelo governo francês, o ataúde que conduzia os restos mortais de D.
Pedro II, foi levado num trem especial para Lisboa, onde após celebração
religiosa, na Igreja de S. Vicente de Fora, pelo Cardeal de Lisboa e 12 bispos,
foi o ex-Imperador do Brasil sepultado no Panteão dos Braganças, ao lado da
Imperatriz D. Teresa Cristina.
SADI CARNOT (1837 - 1894) Presidente Francês. Foi apunhalado até a morte por um anarquista italiano.
Revogada a Lei do
Banimento, os restos mortais de Pedro II e Teresa Cristina chegaram ao Rio de
Janeiro, a bordo do Encouraçado São Paulo da Marinha de Guerra do Brasil, no
dia 8 de janeiro de 1921, após 17 dias de viagem de Portugal para o Brasil. Em
1939, o Imperador e a Imperatriz foram transferidos para Petrópolis, cidade
serrana do Rio de Janeiro. Em solenidade que contou com a presença de
autoridades e do presidente Getúlio Vargas, foram sepultados na Catedral de São
Pedro de Alcântara.
“D. Pedro II nunca perdeu a majestade, e seu prestígio só faz
aumentar com o tempo.” – (Pedro Afonso Vasquez)
“entre visões de paz,
de luz e de glória, sereno aguardarei no meu jazigo, a justiça de Deus na voz
da história.” – Palavras de D. Pedro II.
E que assim seja! Colaboração: Guia José Carlos Melo / Rio de Janeiro
JESUS CRISTO é a nossa única esperança! Amém! ..............................................................................................................................................................................................................
ORIGEM DO NOME VILA DO ABRAÃO Foi tirado de inspiração da expressão bíblica SEIO DE ABRAHÃO.
VISTA DA VILA DO ABRAÃO (2005)
Vila do Abraão é a
capital da Ilha Grande que faz parte do município de Angra dos Reis, seu
principal porto turístico de entrada. Situada numa abrigada enseada, com cerca
de 4 mil habitantes, é o maior e mais importante núcleo urbano da Ilha Grande
dotado de infra-estrutura para atender necessidades básicas em termos de
hospedagem, alimentação, aluguel de barcos, equipamentos de pesca e mergulho,
camping e serviço de guia de turismo ecológico. No verão a chagada de um enorme
contingente de veranistas eleva essa população a número “preocupante” de
milhares de pessoas: cerca de cinco mil visitantes por dia.
PRAIA DO ABRAÃOZINHO Vila do Abraão - 2005
A Vila do Abraão
recebe durante o ano todo, a grande maioria dos turistas que dela saem em
passeios marítimos ou a pé, por trilhas já existentes, pra conhecer outras
localidades da belíssima “Ilha sem fim”.
IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO Vila do Abraão - 2005
Para chegar à Ilha
Grande (Vila do Abraão) é preciso fazer uma longa travessia de mar que pode
começar nos municípios de Angra dos Reis ou Mangaratiba, bem próximo a estrada
Rio-Santos, região da Costa Verde, litoral sul do Rio de Janeiro. A duração do
tempo de travessia pode chegar à uma hora e meia. Entretanto, não recomendamos
essa longa “travessia de mar” às pessoas que sofrem de uma doença denominada
CINETOSE, também chamada de “enjôo do movimento” ou “mal do movimento”.
É VILA DO ABRÃO ou VILA DO ABRAÃO?
“ABRÃO já não será o teu nome, e, sim Abraão...” - Gênesis 17:05,
Bíblia Sagrada.
Abraão ou Abrão;
afinal de contas, qual a origem do nome que deu fama à “capital” da Ilha
Grande? Hoje, para grande parte dos personagens que tentam esclarecer essa
dúvida, o nome da Vila de origem no aumentativo da palavra ABRA, que, segundo o senso comum, seria uma denominação antiga que
os portugueses usavam para ENSEADA: ABRÃO
(Vila do Abrão), fato que não se confirma em dicionário ou livros antigos de
geografia. Ou até mesmo vem do nome do Pirata inglês Abraham Cock (cuja missão do bandido era matar, roubar e destruir),
que supostamente residiu nessa localidade da Ilha Grande por volta de 1591 a
1598, o que seria mais aceitável.
VILA DO ABRAÃO (1909) Área de desinfecção do antigo Lazareto
Se durante algum período
da existência da Vila do Abraão seus habitantes a chamavam de ABRÃO, se justificaria pelo fato dessa
comunidade ser formada por pessoas muitos simples (escravos, brancos pobres, ou
até mesmo ricos analfabetos). Devido à dificuldade de pronúncia, passaram a
falar a língua portuguesa com linguajar distorcido, como por exemplo: paizinho
(paínho), então (antão), Willian (íla, uíla ou Ilha), Antônio (ântonho ou
tónho), oi gente! (ôchente), Raimundo (rímundo, múndo), polícia (púliça), filho
(fiu), meu filho (môfío), palha (páia), mulher (múié), culher (cúié), olho
(ôio, zôio), orelha (uréia), flor (fulô), senhor (inhô), senhora (inhá), vidro
(vRídu), ABRAHÃO
(ABRÃO), ETC. Está claro? Possivelmente,
esse tipo de dialeto tenha prevalecido até a primeira metade do século XX
(passado), sendo extinto pouco a pouco por força do desenvolvimento cultural e econômico
do país. É o que os entendidos chamam de “regionalismo lingüístico”,
acreditamos.
VILA DO ABRAÃO - 1942 (Arquivo Olí Mutti Moura) Crédito: Grupo de Pesquisa Arte, Cultura e Poder
Portanto, é
inaceitável imaginarmos que um lugar tão estratégico para os navegantes daquela
época, teria sido batizado com nome unicamente descritivo no caso, se
interpretarmos que a denominação provém do aumentativo da palavra ABRA.
Existe uma origem diferente
(confiável), respaldado de fonte e documento esclarecendo a razão do BATISMO DA
ENSEADA onde foi erguida a Vila, e que com o tempo, ela também ganharia a mesma
denominação: Vila do Abraão. Esse
documento que pode ser encontrado no Arquivo Nacional, Biblioteca da Marinha, e
na WEB, declara que o nome ABRAHÃO
(com a letra “H”) que batizou para sempre a Enseada e a famosa Vila, fora dado
pelos NAVEGANTES, através da expressão bíblica “Seio de Abrahão” tirado de inspiração da parábola de Jesus: O rico e Lázaro (N.T – Livro de Lucas,
capítulo. 16: 19-24).
FABRICA DE SARDINHA - 1942 (Arquivo Olí Mutti Moura) Crédito: Grupo de Pesquisa Arte, Cultura e Poder
Na verdade foi uma
expressão de gratidão daqueles navegantes, por encontrarem ali abrigo perfeito
para suas embarcações, além de um lugar de paz e descanso para a tripulação,
depois de enfrentar corajosamente o mar alto e agitado. Ou seja, um “paraíso terrestre”
neste lado do Atlântico.
É bom entendermos que
a expressão bíblica “Seio de Abrahão” se traduz como “paraíso” que é um lugar
de “descanso e paz”. Também é importante lembrar, que os navegadores
portugueses e, outros Europeus, costumavam batizar os locais visitados quase
sempre inspirados por uma passagem bíblica ou nome de algum santo do calendário
católico, como por exemplo: Cabo de Santo Agostinho, Pináculo da Tentação, Angra
dos Reis (dia 6 de janeiro), Monte Pascoal, etc. Utilizava-se de nomes bem
próprios ligados diretamente a sua cultura, e não diferente desse contexto.
IGREJA DE SÃO SEBASTIÃO - 2005 Praça principal da Vila do Abraão
Vejamos o que foi
declarado em documento oficial (relatório), por uma autoridade no século XIX,
para indicar ao Governo Imperial de D. Pedro II uma localidade apropriada à
instalação de um LAZARETO (não era
um hospital, e sim, um centro de triagem e isolamento). O Lazareto tinha a
finalidade de abrigar durante um período de quarenta, passageiros de navios
suspeitos de transportarem visitantes e imigrantes com enfermidades infecciosas
com destino ao porto do Rio de Janeiro. Inclusive, esse personagem, esclarece o
porquê da Enseada do Abraão, hoje, ter “merecido” chamar-se “SEIO DE ABRAHÂO”. Foi transcrito abaixo, respeitando as expressões
da língua portuguesa da época (omitimos acentos, etc.):
“Segui para Ilha
Grande, cujas enseadas do lado norte são tão encarecidas pelos navegantes e
onde, em 1856, não só uma fragata ingleza, como varios, vapores procedentes das
províncias do norte fizeram quarentena e foram desenfectados”.
Veja o que ele diz agora!
“Uma dessas enseadas, QUE PELO ABRIGO QUE OFERECE AS EMBARCAÇÕES
MERECEU SER DENOMINADA – SEIO DE ABRAHÃO – era o ponto predilecto dos que
indicavam a Ilha; mas esqueciam-se estes de que podem competir com a referida
enseada duas outras: a de Palmas e a do Céo.” – (Autor do relatório, Dr. Nuno
de Andrade, Inspetor de Saúde do Porto do Rio de Janeiro, em 11 de agosto de
1884).
É esclarecedor?
Acreditamos que sim. Divulgue, então, por favor.
LAZARETO da ILHA GRANDE - 1909 Construído na Praia Preta, Vila do Abraão
Agora já sabemos que
foi por MERECIMENTO que a Enseada do Abraão recebeu de batismo dos próprios
navegantes, através da expressão bíblica SEIO DE ABRAHÃO, o nome que se
conserva até hoje, e que vai ficar para sempre.
Entretanto, é
importante esclarecer aos sinceros defensores da palavra ABRA no aumentativo (ABRÃO),
que ABRAÃO ou ABRÃO são dois nomes de origem bíblica, aparentemente distintos,
mas que felizmente diz respeito, exclusivamente, a uma ÚNICA PESSOA, e
justamente ao “Patriarca Abraão” que inspirou a expressão bíblica em questão: Seio de Abraão.Como também é importante saber, que o patriarca ABRAÃO, ao nascer,
recebeu da parte dos seus pais o nome ABRÃO
que significa “Pai Elevado” (isso mesmo, Abrão!),
e assim foi chamado até completar a idade de 99 anos (confira na Bíblia, Antigo
Testamento, Livro de Gênesis, Capítulos de 12
a 16).
PATRIARCA ABRAÃO Até completar a idade de 99 anos chamava-se ABRÃO
Quando atingiu ABRÃO a idade de 99 anos, segundo o
relato bíblico, Deus muda o nome do
patriarca ABRÃO para ABRAÃO (Abrahão), que no original em hebraico, Abraham,
quer dizer “Pai das Multidões”. Veja o que está escrito no livro de Gênesis,
capítulo 17,
versículo 05:
“ABRÃO JÁ NÃO SERÁ O TEU NOME, E, SIM ABRAÃO...”.
Conforme tudo que foi
visto, concluímos que a Vila e Enseada do Abraão, local de abrigo, consolo e
paz teve seu nome originado da denominação SEIO DE ABRAÃO, expressão de gratidão dos navegantes da época do
batismo. Acreditamos que Vila do Abrão nunca foi o seu nome, e, sim Vila do Abraão. Contudo, não fica aqui um desejo de cristalizar verdades absolutas sobre
a origem da querida Vila do Abraão, deixamos apenas uma modesta contribuição.
PEDRA DO FETO Atrativo Natural situado próximo à entrada da Enseada do Abraão.
“O sábio busca incessantemente o saber, pois
sabe que nada sabe, mas o ignorante sempre se comporta como se tudo soubesse.” – (Josenias
Antunes de Oliveira). Obrigado pelas palavras!
A Bíblia Sagrada também esclarece que JESUS CRISTO É A NOSSA ÚNICA ESPERANÇA,quando Ele diz: “porque sem
mim nada podeis fazer”. Amém! (Livro de João 15:5).
Colaboração: Guia José Carlos Melo / Rio de Janeiro ....................................................................................................................................................................................................................